quinta-feira, 17 de junho de 2010

O CURIÓ - PARTE II



Edgard Osmar de Carvalho



Criação



Há duas ou três décadas, a criação em cativeiro dessa ave foi um desafio à nossa paciência e capacidade de observação, pois as tentativas iniciais, como não poderiam deixar de ser, foram com pássaros nativos, que embora, já mansos, alguns, inclusive, capturados ainda filhotes, não deixavam de ter a índole e hábitos adquiridos nos ambientes naturais onde foram criados. Adaptá-los à criação em cativeiro foi realmente um ato de amor e dedicação à sua preservação. Registro aqui as minhas homenagens a esses pioneiros amadores.


Os primeiros criadores, na sua maioria, fizeram suas tentativas em viveiros, outros em gaiolões com boas dimensões, sempre com poucas fêmeas, tendo em vista a índole nativa de valentia e domínio territorial da ave. Tudo era pura intuição e observação, logicamente com os conhecimentos de seus hábitos na natureza. Vencidas as primeiras dificuldades, começaram a aparecer os primeiros filhotes. Novos desafios: agora, a alimentação. O que fornecer aos recém-nascidos ? As andanças pelas várzeas começaram em busca de cupins, aleluia, gafanhotos, larvas, etc. E novos conhecimentos foram adquiridos.


Criados os filhotes separados dos pais, vieram as tentativas e ensinar o canto dos grandes mestres, tais como: Ana Dias, Patrício e Xodó, só para citar alguns. Eram os cantos clássicos da época, mais conhecidos, gravados em disco de vinil e fitas cassetes; sem muitos recursos tecnológicos. Era a época das invenções, pois a maioria dos toca-discos ou "tapes" não eram automáticos ou auto-reversos.


>Novos desafios


Tudo isso foi superado e os primeiros filhotes apareciam cantando algo muito parecido aos curiós anteriores, alguns, inclusive superando-os.


É bom lembrar que nessa época os discos eram gravados com as imperfeições dos curiós, sem acertos das cantadas, sem emendas, etc.; porém guardam fidelidade dos cantos do passado, suas cantadas incompletas, cortadas, fofocas, cantadas altasa, outras baixas, outras ainda, quase um sussurro, aberturas, etc. Mas, pelo menos conservavam a qualidade das notas, já que os recursos técnicos de mixagem, acertos e alterações da notas, eram em alguns casos, impossível. A reprodução era quase que fiel, muitas ao vivo. Eu, particularmente, venho há uns três ou quatro anos persquisando aquelas notas, logicamente com os recursos modernos, principalmente o computador com programas desenvolvidos, especificamente para essas observações. Fui constatando as alterações que o canto sofreu, quer em melodia, andamento, volume, frequência e principalmente na letra do canto Ana Dias, super clássico.


Retornando ao assunto inicialmente proposto Criação do Curió, aquelas dificuldades foram superadas e hoje já podemos criar essa ave com grande facilidade, desde que obedecidos certos cuidados básicos. Ressalto, contudo, que muitos desses chamados cuidados básicos, podem levar à conclusão de muitos que são ultrapassados, mas continuam a ser praticados pelos criadores, talvez sem perceber.



>Criadouro



Uma das primeiras preocupações para iniciar uma criação é a definição do local em que se pretende criar. O espaço físico dependerá, é lógico, do porte da criação que se pretende formar. O recomendado, para os iniciantes, é a aquisição de poucas fêmeas: uma, duas ou, no máximo, três. Assim, o espaço poderá ser reduzido até que os conhecimentos sejam adquiridos. Não podemos esquecer que esse espaço deverá ser específico para a criação, que proporcione fácil manuseio das gaiolas, quer das fêmeas ou dos machos, com facilidade de manutenção da higiene, sem trãnsito de pessoas ou animais próximoss às gaiolas, sem acesso de pássaros nativos soltos na natureza, como pardais, rolinhas, pombos, etc. (grandes transmissores de doenças). Com boa ventilação e claridade, para se evitar o mofo e o fungo.



> Gaiolas e Ninhos



Isso definido, devemos adquirir as gaiolas, podendo optar por gaiolas de madeira e arame (gaiolões), ou somente de arame. Estas, hoje, são as preferidas, pois, além de menores, já bem aceitas pelas novas gerações de fêmeas, são de mais fácil higiene, podendo ser pintadas anualmente, ocupando, inclusive, menos espaço. Quanto ao ninho, podem ser de corda, sisal, bucha, etc. Tenho, há alguns anos, preferido os ninhos de buchas, bem ralos, do tamanho de uma laranja pêra, que são colocados em supertes de arame e facilmente removíveis e substituídos a cada ninhada. Este ninho de bucha além de higênico, já que é ralo permitindo que a sujeira seca, em forma de pó, caia, tem a grande qualidade de prender as raízes de capim que são fornecidas às fêmeas na época da criação. Esse fato faz com que, principalmente, os filhotes fêmeas se afeiçoem e moldem-no de acordo com a sua predileção, evitando que as raízes caiam como acontece com o de corda e mesmo o de sisal. Esse simples detalhe eliminou praticamente a perda de fêmeas filhotes, que botavam fora do ninho ou não deitavam (chocavam). Esclareço que o ninho deve ser colocado sempre na frente da gaiola, no canto superior e aonde se apresenta com maior claridade. Costumo, também, proteger o ninho com uma tela verde, que pode ser substituída por uma bucha prensada. Assim, a fêmea se sentirá mais protegida.



> Plantel



Estabelecidas, definidas e concretizadas essas prioridades, vem a compra do plantel. Nesse particular, recomendo que se descarte a compra de fêmeas "criadeiras" que deixarei de comentar as razões de forma direta. Citarei, a título de observação aos ovos criadores, que uma fêmea para ser considerada boa criadeira tem que ter características próprias, que um criador que se preze, a não ser por alto valor; dispensará, ou seja: ser uma fêmea relativamente nova, que bote regularmente no ninho e não fora dele, que choque os ovos, boa tratadeira, que deixe o macho galar, pois existem fêmeas que não aceitam gala, embora botem e choquem os de outras.


Ser de boa procedência genética que produza filhotes com facilidade de aprenderem o canto. Uma fêmea com essas características, somadas à mansidão e docilidade, e quase que inegociável. Nesta situação, como disse, recomendo a compra de filhotes fêmeas, se possível de ninhadas, de criador conhecido e sério, de plantel de boa formação genética, que lhe repasse com segurança quem são os pais, avós e até, se possível, os bisavós dos filhotes adquiridos. Outro fator importante é a adaptação desses pássaros ao novo ambiente, local da criação, pessoas da casa, movimento de animais, veículos, gestos e manuseio do novo criador, suas roupas, seus óculos, etc. São inúmeros os fatores. Só como ilustração, crio curió há mais de 25 anos, sendo o primeiro a criar com o Soberano (velho), Porco, Realejo, Repeteco, Camaro, Americano, Itararé (Tilim), Itororó (Pelé), Jundiaí, Xogum, (estes dois últimos de antiga propriedade do Sr. Orfeu), sendo que presentemente foram incorporados na formação genética do plantel outros, como Miura, Jornaleiro, Resgate, Colonial, Vaidoso, dois Soberanos (filhos), etc., estes pela linha alta, pela baixa, a das fêmeas, foram somados à formação do plantel, próximo de duas dezenas de outros excelentes curiós, de outras criadores do Estado, possuindo fêmeas na criação com mais de 18 anos , manuseando, manuseando, tratando e transitando constantemente pelo criadouro.


Mesmo assim não posso entrar na minha criação com óculos, pois não o uso permanentemente, ou com uma camisa de outra cor que não seja a branca, pois elas assustam É também certo que se acostumariam com certa facilidade de passasse a usá-las com frequência. Portanto, adquirindo filhotes fêmeas, essa adaptação será mais fácil, uma vez que essas, como nove meses aproximadamente, já podem ser colocadas para criar. É comum uma fêmea adulta demorar de um a dois anos para começar a produzir seus filhotes no novo ambiente e acostumar-se com as novas companheiras da criação (seus pialados). Essas são as razões fundamentais para definir-se a preferência.



Continua na próxima edição !



Fonte: Revista Pássaros - Ano 10 - nº 49





terça-feira, 15 de junho de 2010

O CURIÓ - PARTE I



Edgard Osmar de Carvalho



Convidado pelo amigo Paul para escrever sobre o curió, sua origem, natureza, criação e canto, resolvi fazê-lo em três etapas, da forma mais simples possível, mais dirigido a iniciantes aficionados desse pássaro e que não tiveram a oportunidade de conviver, em estado nativo, com essa ave de canto maravilhoso. Dividi as observações em três partes:


1. Origem e Natureza

2. Criação e Alimentação

3. Canto e Aprendizado dos filhotes



1 - Origem e Natureza:


Curió, nome de origem indígena que significa "amigo do homem", também conhecido por "avinhado", é um pássaro silvestre da fauna brasileira, da família dos fringílidas, denominado cientificamente de Oryzoborus angolensis. É uma ave de bico grosso, como todos os fringílidas, de porte pequeno, cor preta, com o peito de tonalidade vinho, possuindo uma pinta branca em cada asa, principalmente quando adulto e macho. Quando filhote, assim como as fêmeas adultas, são de cor marrom clara. Sua cor definitiva somente é adquirida entre um e dois anos de idade.


É um pássaro de região tropical que era encontrado em quase todos os estados brasileiros, próximo a rios e várzeas, sendo essencialmente territorial. Um casal ocupa um espaço de alguns hectares, expulsando os invasores da mesma espécie, quer pela firmeza e insistência do seu canto, ou mesmo, se necessário, fisicamente. O mesmo acontece com seus filhotes, expulsa-os quando se tornam independentes alimentarmente e começam a corrichar e emitir as primeiras notas do seu canto.


Seu quase desaparecimento, em estado silvestre, deve-se em grande parte aos desmatamentos, bem como pela aplicação de inseticidas e defensivos agrícolas nas lavouras.


Mas também não se deve esquecer da caça predatória, com o aprisionamento de casais, principalmente na época da criação, quando era mais fácil caçá-los, tendo em vista a sua valentia na defesa do seu "habitat".


Hoje, dificilmente são encontrados, principalmente no estado de São Paulo. Na região Norte do país e em Mato Grosso, encontram-se, com alguma dificuldade, casais originariamente nativos que conservam as suas características e canto.


Salientamos aqui que o canto do curió depende da região de sua origem. Muitas vezes, numa mesma região, encontramos cantos diferentes, não na sua essência, mas com algumas notas alteradas. Assim temos o Paracambi, o Santa Catarin, o Jurubatuba hoje já extinto, o Praia Grande - da região de Santos, etc. O canto Praia Clássico, o mais apreciado no estado de São Paulo, é uma obra do curió "Ana Dias", que aprendendo o canto Praia Grande, foi incorporando, no decorrer dos anos, notas de outras regiões do litoral paulista, como Pedro Taques, Vila Atlântica, Mongaguá, Itanhaém, Ana Dias, etc., locais esses, entre outros, citados pelo amigo Valter Moretti, um dos pioneiros da preservação do canto Praia Clássico, na capa de seu disco "Ana Dias, homenagem aos 30 anos de um Mestre".


A preservação, contudo, deve-se a criadores amadores apaixonados que já na década de 60 iniciaram as primeiras tentativas de criá-los em cativeiro. Foi um trabalho árduo, mas gratificante que dependeu de muita paciência, dedicação, observação e amor à naureza. Em toda parte do estado, sabemos de pessoas que criaram esse pássaro. As dificuldades da época eram grandes, pois a comunicação entre os "curiozeiros" era rara e difícil. Mesmo assim o sucesso foi total. O curó não corre mais o risco de extinção. O nosso grande trabalho hoje é a preservação dos cantos, quer os originais regionais, muitos já perdidos, como os formados por pássaros extraordinários, que cito, como exemplo, o Ana Dias.



Fonte: Revista Pássaros - Ano 10 - Nº 40, p. 07


Continua na próxima edição !

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ENTREVISTA: CRIATÓRIO REFÚGIO DOS CLÁSSICOS


Boa noite, antes tarde do que nunca, esperada por muitos, trago até vc meu amigo leitor, essa importante e detalhada entrevista com o nosso Amigo e criador Carlos Tadeu de Moraes, do Criatório Refúgio dos Clássicos em Pirassununga/SP, cidade situada às margens da Rodovia Anhanguera e que já foi palco de importantes etapas do Campeonato Brasileiro de Canto de Curió Praia Grande Clássico.


Tadeu, como é conhecido, formando-se em Medicina Veterinária ao término deste mês, nesta entrevista demonstra o quanto é detalhista e, com os seus resultados, demonstra o quanto essa característica é importante no trabalho de criação e encarte do canto praia grande clássico, sendo considerado pelos mais chegados, o Mago dos CDs, apesar de sua jovialidade, uma vez que a sua percepção, aliada a sua sensibilidade e conhecimento técnico, permitem esse jovem criador editar CDs que realmente fazem a diferença. Confiram abaixo a entrevista !


CC&T - Quando começou a criar ? Iniciou logo com curiós ou não ? É criador amadorista ou comercial ? Há quanto tempo ?

CT - Desde a minha infância, a convivência com aves canoras já faz parte do meu cotidiano, pois meu pai e meu avô sempre mexeram com aves e acho que essa paixão veio de berço, pois eu acordava quase todos os dias para ajudar meu pai no trato de suas quase 50 gaiolas, além de acompanhar meu avô nos rolinhos e visita a passarinheiros e isso era um prazer enorme pra mim. Primeiramente comecei com os canários da terra de canto metralha e no ano de 2006 mudei para os curiós por incentivo de meu pai, iniciando minhas primeiras aquisições no ano de 2007. Sou criador amadorista desde 2006, mas no seara dos curiós o ponta pé inicial foi no ano de 2007/08 onde adquiri meus primeiros filhotes.



CC&T - Descreva para nós como é a estrutura do seu criadouro/criatório, no que diz respeito a compartimentos da criação, ou seja às suas instalações propriamente ditas ?

CT - Podemos dizer que o criatório apresenta uma estrutura bem simples, apresentando 4 residências para dividir e separar as aves conforme a necessidade e época do ano, sendo esses locais compostos por cabines acústicas as quais são utilizadas somente conforme a necessidade do momento. O criatório fica aos fundos da residência de meus pais em Pirassununga/S.P o qual comporta as matrizes em cada lugar próprio.


Os galadores ficam na casa do meu avô o qual cuida e trata por todo ano e retornam para o criatório somente na época de criação.


Também conto com a residência de minha sogra na qual fica o meu mestre, além de outra em Poços de Caldas /MG onde moro, a qual é composta por caixas acústicas e um ambiente especifico para o encarte e continuidade do trabalho com os pardos apartados que saem do criatório + ou - com 35 dias e irão permanecer em bando isolados por capa em um mesmo ambiente até a fase de marcação de notas. As caixas ficam vazias somente sendo utilizadas caso for necessário ou na obrigação de ter que travar algum pardo que esteja querendo sair antes da hora ou com defeitos.



CC&T - O seu plantel é formado por quantas fêmeas e machos ?

CT - Atualmente com 5 galadores e 20 matrizes.



CC&T - Geneticamente falando, qual a base da raça com que trabalha ?

CT - Meu plantel não é selecionado em relação a apenas uma base genética, pois sempre busquei adquirir filhas e filhos de curiós repetidores e que já tenham apresentado resultados no que se refere a canto Praia Grande Clássico independente da genética da ave. Venho trabalhando com complementariedade entre as raças onde cada uma tem seu ponto forte e dessa forma, podemos chegar no ideal . Mas, contamos com as genéticas “clássicas” de resultados que apresentam a maioria das árvores genealógicas dos curiós de ponta e de torneios, que são: SOBERANO, MELODIA, MATUTO, XODÓ, CANARINHO, ENCRENCA(BUGRE) , PRATA, PRECIOSO além de outras que poderá ser visto no site(
http://refugiodosclassicos.weebly.com ), sempre buscando selecionar resultados e não simplesmente árvore genealógica, para aí sim futuramente poder trabalhar sobre esses resultados e fechar com cruzamentos consangüíneos para formar uma nova família e quem sabe uma nova raça para marcar como essas já conhecidas e admiradas por todos nós.



CC&T - A sua criação é voltada exclusivamente ou não para curiós Praia Grande Clássico ?

CT - Exclusivamente o plantel e a criação são selecionados e manejados visando o encartamento do canto Praia Grande Clássico.



CC& T - Conte para nós como se dá o seu trabalho de vetorização de canto, englobando a questão de CD, ambiente, falante e o manejo propriamente dito ?

CT - Essa parte considero a mais importante de um criatório, pois de nada adianta ter-se uma genética formidável se esta carecer de ambiente , aparelhagem de som juntamente a alto falantes de qualidade, CD com um arranjo didático bem montado e sem defeitos e falhas de gravação aliado a um selo que encaixe conforme a genética com que se trabalha.


É por isso que considero essa formula básica para quem quer apresentar sucesso em sua criação que é FENÓTIPO = GENÓTIPO + MEIO AMBIENTE. Entende-se por fenótipo, as características observáveis, que no caso de nosso criatório, o canto é a característica fenotípica que mais buscamos avaliar (voz, melodia , firmeza de notas) isso tudo, associado a apresentação, pois visamos a produção pensando nos torneios de canto e de nada adianta ser um craque se faltar apresentação e disposição canora para cantar nos 5 minutos de estaca; o genótipo é a composição genética , portanto a interação de uma bela genética com um meio ambiente favorável é o que vai nos garantir um sucesso no encartamento de nossas aves e se faltar apenas um dos lados ficará muito difícil os resultados positivos.

Nosso criatório apresenta duas fases em manejo diferenciado para vetorização de canto conforme a época de criação.


No inicio da temporada de criação do meu plantel que se inicia em dezembro, meus filhotes são apartados no dia de seu anilhamento e são isolados nas cabines acústicas e tratados manualmente até não aceitarem mais o palito, mais ou menos com seus 35 dias de vida.


A segunda fase é na ultima leva de filhotes onde no mês de janeiro galamos as fêmeas até o momento em que estas apresentarem uma ninhada de até uma idade de 7 dias de vida. Sendo assim, os galadores permanecem no ambiente galando as matrizes que se aprontam até esse momento.


Após essa fase todos os galadores voltam para a casa de meu avô e irão entrar IN OFF para se prepararem para a muda de penas, assim, deixando no criatório somente as matrizes galadas , chocando ou com filhotes.


Portanto, as matrizes que não aprontarem nesse meio tempo são retiradas do criatório e colocadas juntas para fazerem a muda de penas evitando assim a presença de matrizes solteiras cantando no interior do criatório.

O Cd que utilizamos é um Prata extraído do vinil de 1985, 30 anos Moretti, em andamento levemente mais acelerado e de arranjo diversificado conforme a idade e fase dos filhotes.


Nas caixas dos filhotes tratados manualmente e no berçário (criatório), que é a fase de vetorização, eu mantenho esse arranjo o qual se estende até os 60 dias de vida dos filhotes, sendo este composto por cantadas de 3 3 3 3 6 samáritas, pialados de fogo, chamados frios e uma rasgada em R.

Após os 60 dias de vida do filhote, o arranjo é somente com pialados de fogo e é retirada uma cantada de 3 samáritas e o rasgado , ficando em 3 3 3 6 samáritas até sua abertura de canto, e se for necessário após a abertura adicionamos mais uma cantada de 9 samáritas , ficando em 3 3 3 6 9 .

Mesmo apresentando um curió mestre de canto que é o Sinistro, sendo este um curió extremamente firme de notas e encartado no cd que utilizamos para os filhotes, não o utilizamos em hipótese alguma até a muda de ninho dos mesmos. Nessa fase somente é utilizado o CD de instrução.

O mestre é somente utilizado após a abertura canora dos filhotes com intuito de fortalecer a cantoria ou correção de alguma nota ou detalhe no canto que algum filhote venha a apresentar.

Os alto falantes que eu utilizo são uns Fullrange de ferrite e cone de papelão utilizados em televisão , são de 5 polegadas, 8 ohms e 10 wats.

Os mesmos são colocados nas caixas; e no ambiente junto a eles também é utilizado um Super Tweeter Profissional de marca comercial. Os aparelhos de som que utilizo são em WAV por chip de cartão com entrada de rádio e sempre mantenho um rádio FM ligado no intervalo em todos os ambientes do criatório.



CC&T - O desmame vc costuma realizar com que idade do filhote ?

CT - Mais ou menos 35 dias de vida.



CC&T - Quando normalmente vc começa e para de criar a cada temporada?

CT - Por motivos maiores(faculdade) e falta de tempo disponível, crio somente no período das férias que é dezembro e janeiro, o que acaba ficando apertado e tirando poucos filhotes por temporada ,mas que além do mais, é uma época excelente para o nascimento dos filhotes principalmente em se pensar nos machinhos que terão idade muito boa para os torneios do ano subseqüente, que é esse o nosso maior objetivo, sobrepondo a qualidade sobre a quantidade e produção de pardos visando os torneios e mantenedores que querem para esse propósito.


CC&T - Nos diga algumas de suas principais fêmeas e galadores, bem como se possível as suas ascendências ?

CT - Por ser essa a segunda temporada propriamente dita, vou citar as 3 fêmeas que me deram resultado e as únicas que criaram na temporada passada que são a Brenda do Refúgio, que nos forneceu um pardo que se saiu muito bem despontando nos torneios da Febraps durante a temporada de 2009/2010, se classificando para o torneios do campeões o qual infelizmente seu proprietário (Edward/ Jáu- SP) não pôde participar do mesmo, que é o Pardo Boa Idéia do Refúgio. Segue o vídeo dele ainda com seus 7 meses iniciando na cantoria.
http://www.youtube.com/watch?v=50f8Uy_-PyY

Brenda é criação dos amigos Márcio Magina e Camissoti de Cruzeiro/S.P sendo filha do Matutino (soberano com matuto) passado na fêmea Carmosina (miramar X madona36(irmã do zulu); podemos citar também a fêmea Seresta Neta do Refúgio, sendo essa criação do nosso amigo Dárcio Masteralli de Marilía/ S.P ,filha do Pilatos2 X Serxan. Seresta é irmã de ninho do curió Biloca118 ; segue o vídeo do seu irmão de ninho
http://www.youtube.com/watch?v=I03iM-MBz_E e mãe do pardo criação nossa o 020 do refúgio , segue vídeo do 020 http://www.youtube.com/watch?v=8R0kYgE4pB0.

Podemos citar também a matriz Triska do Refúgio, filha do Trianom (prata X paulista) passado na Skamary(Skank(Canarinho Velho X Chiva) X Marieta (Maravilha X Violeta) cria do Carlos da Mata de Assis/S.P, fêmea a qual nos deu dois filhotes irmãos de ninho sendo o 022 hoje galador no criatório serra da mata atlântica em Santos/SP, curió este de repetição e voz.


Seu irmão de ninho, o 021 do Refúgio, hoje é de propriedade do nossos amigos Vinicius e José Alberto Favaro grandes parceiros do criatório, segue vídeo do 021 com 9 meses
http://www.youtube.com/watch?v=4CDCm4IZPdQ .

Galadores:


Podemos citar o Duvo do Refúgio curió de 10 anos, criação do Osmar keller de Santa Barbara do Oeste/S.P, filho do famoso Tieté (xodó velho X mariazinha(filha do xodó velho), sendo fechado no xodó velho na linha paterna e filho de uma irmã da Safira velha(mãe do Dominique) a Água marinha, sendo o Duvo o pai do pardo 020 (vídeo citado acima). Podemos citar também o Eldorado do Refúgio, curió esse que iniciou nessa temporada na criação, fechado em cruzamento consangüíneo no famoso bugre pela linha alta e baixa sendo neto do Encrenca Velho e filho do falecido repetidor Junior , segue vídeo de seu pai
http://www.youtube.com/watch?v=TFyiOQdVOZk

Temporada que vêm iremos estrear novos galadores como um irmão paterno da fêmea Triska e o irmão de NINHO de um dos melhores pardos que já pudemos presenciar que é o curió repetidor Chave de Ouro
http://www.youtube.com/watch?v=2pGxd8H1Hdo&feature=related e ou http://www.youtube.com/watch?v=2glJ_seuoCc&NR=1 o qual é o nosso galador Estrela de Prata do Refúgio, curió esse que vem a ser neto do carinhoso do Tochio/Tupã/S.P, pelo lado paterno e neto do Matutinho do Joca/Rio claro/S.P, pelo lado materno.


CC&T - Tem algum curió da sua criação que já tenha sido revelação ? Em caso positivo cite para nós o seu nome, genética e eventual conquista ?

CT - Essa temporada criamos bons pardos mas para tornarem-se revelação, devem e têm que ser apresentados em torneios, pois é ali que avaliamos realmente o potencial da ave.

Portanto, cito o pardo Boa Idéia do Refúgio o qual se saiu muito bem nos torneios essa temporada e vem a ser filho do galador do nosso amigo Marcus de Barretos, o Boiadeiro(67 X Toninha) passado na nossa fêmea Brenda do Refúgio o qual já comentamos sobre sua ascendência logo acima.


CC&T - Como criador regularmente cadastrado no IBAMA, seja amadorista ou comercial, mas preservacionista por excelência, vc tem enfrentado algum tipo de problema no relacionamento com a Autarquia ?

CT - Por trabalharmos com observância rigorosa à lei, nunca tivemos problemas com o IBAMA, embora eles tenham deixado a desejar em alguns pontos essenciais para um bom relacionamento entre o órgão e nós criadores, porém, não temos nada a reclamar.


CC&T - O que pode sugerir para aqueles que estão começando ou pretendendo começar a criar curiós ?

CT - Primeiramente gostaria de dizer que para lidar com curiós de canto clássico é necessário ter muita paciência, dedicação e extremo feeling para conhecermos nossas aves e sabermos de suas qualidades, além de principalmente reconhecermos os seus defeitos. Para isso, é necessário um estudo do “Beabá” do canto clássico a fim de aprendermos a semântica básica, após esse conhecimento e com o tempo e troca de informações irmos adquirindo experiências para aprimorarmos, para ai sim começarmos a adquirir nossos filhotes.

É primordial conhecermos bem o canto clássico, e buscarmos fazer amizades boas, pesquisando criadores honestos e que fazem um trabalho legal para adquirirmos nossos futuros campeões. Para quem gostaria de começar uma criação, eu indicaria adquirir filhotas de criadores que estão apresentando resultados e que seja de sua confiança, e não adianta quantidade e sim qualidade, pois genética todo mundo têm, o que não têm são os resultados.


Basicamente é fazer amizades com pessoas honestas e sérias, esse é o caminho pois um dos fatores primordiais do hobby são os amigos que concretizamos no dia a dia.



CC&T - Quais são as suas últimas palavras que gostaria de dizer para os nossos leitores ?

CT - Primeiramente gostaria de agradecer a Deus por ter colocado os curiós em minha vida, pois através deles, fiz excelentes amigos que levarei por toda vida; a todos que com sua paciência estão lendo essa entrevista e principalmente ao nosso amigo e mestre Antonio Pecêgo, pessoa que eu admiro muito pela dedicação, amor, extremo conhecimento e feeling no que se refere a Torneios de canto e preparação de aves para tal. Seus resultados falam por si só, por isso é considerado por muitos o Mago das Estacas, e claro , por nos dar essa oportunidade de falarmos um pouquinho sobre nosso criatório nesse site que já é uma referência mundial.


Gostaria também de aproveitar a oportunidade de dar meus sentimentos de gratidão a pessoas que me ajudaram e ajudam muito, bem como foram responsáveis para que eu concretizasse esse pequeno sonho que é meu criatório.


Me considero uma pessoa de sorte por ter amigos verdadeiros nesse ramo, mas em especial cito o Cleuber , Marcus Thomazzati , Luis Antônio/ Pirassununga/S.P ,Serginho Minami, Adalberto Gouveia(Badal), irmãos Fernando do criadouro Serra da Matta atlântica, Vitor Koike de Ubiratã/Pr , Alexandre- Itajái/SC e o Edward de Jáu/S.P pessoas estas as quais só tenho a agradecer pela união, amizade, por serem grandes parceiros do Refúgio dos Clássicos e por terem me ajudado muito para a realização desse sonho.



Estamos abertos para novas amizades e trocas de experiências.



Obrigado a todos.


Sucesso!

E um Excelente ano de 2010 para todos nós!



segunda-feira, 7 de junho de 2010

VOZ, ANDAMENTO E MELODIA NO CURIÓ PRAIA GRANDE

Antonio Pereira da Silva


VOZ

Você pergunta o que é Voz boa ou Voz ruim?

Uma pergunta que, a meu ver, por se tratar de um assunto de relevância e de interesse de todos, e para não pairar dúvida quanto a minha posição, para ser respondida exige entrar em alguns detalhes.

No Regulamento de Canto de Curió Praia Clássico é estabelecido que os requisitos obrigatórios e qualitativos são os seguintes:

Voz, Andamento, Melodia, Colocação de Notas e Apresentação.

Pois bem, VOZ é o primeiro quesito que analisamos e é o primeiro que chega a nossos ouvidos para ser analisado quando um pássaro está se apresentando na estaca, e o Juiz, por ser uma pessoa experiente, quase que prontamente forma sua opinião crítica, se é de voz ótima, boa, regular ou péssima.

Experiência, nós sabemos que é a habilidade ou perícia resultante de exercício contínuo duma profissão, arte ou ofício, e os Juízes, mesmo os novos, antes de atuarem numa mesa julgadora como titulares, já ouviram muitos curiós, no período que estiveram estagiando nas funções de Mesário ou Juiz Auxiliar, o que os credenciam como sendo muito experientes.

Nesse período de estágio eles tiveram várias oportunidades de fazer análises e comparações entre uma voz e outra, e, evidentemente, adquiriram capacidade para discernir a qual é considerada a melhor voz e, quando chegam a participar da mesa julgadora como juiz titular, estão aptos a definir qual lhe agrada mais.

Quanto aos Juízes mais antigos é desnecessário fazer comentários, pois todos são possuidores de vasta competência; imagine você a experiência e bagagem que tem esses juízes que estão atuando em nossos torneios, alguns deles há mais de 20 anos ouvindo curiós. Quantos curiós já ouviram!

Não estou desmerecendo os novos curiozeiros, nem me auto afirmando perante eles, pelo contrário, pois, com a avançada tecnologia atualmente colocada a disposição deles, lhes é proporcionada a oportunidade de atualizarem seus conhecimentos em toda atividade humana, inclusive no nosso Hobby.


Por que acima eu disse “qual lhe agrada mais”?

R: Porque voz é uma questão também de sensibilidade.

A voz que é exigida no Regulamento e considerada como a voz ideal, a voz de praia, não pode ser muito aguda nem muito grave, não pode ser musicada, rouca, com chiado, metálica ou com sotaque de outras categorias diferentes de Praia Grande.

A Sensibilidade é um dom distinto e peculiar. Então, fica difícil cada um em particular definir qual é a voz que deverá ser entendida como a ótima. Uns podem preferir uma voz um pouco mais fina, outros podem até preferir que seja mais grossa, o que importa é respeitar o gosto de cada um. Os gostos são diferentes e gosto não se discute.

Quando alguém ouve um curió na casa de um amigo, antes mesmo de ouvi-lo com mais detalhes, logo diz: “Que voz boa, Parece o disco!”. “Até confunde com o disco”.


Aí está ela, ESSA É A VOZ QUE ENTENDEMOS COMO A VOZ DE CURIÓ PRAIA.

É certo, porém, que algum curiozeiro, principalmente aqueles que estão começando e que pouco ouve outros pássaros, ou que só ouve o dele, acha que a voz do seu curió é muito boa. Isto porque ele não ouviu outros para poder comparar com a voz do seu.

Há algum curiozeiro que diz o seguinte: “meu curió tem um vozeirão”, mas como ele não teve oportunidade de ouvir vários outros , para ter como referência , acha que esse “vozeirão”, que é a voz do dele, é a boa.

Não é por aí. Vozeirão não é qualidade. Qualidade de voz de curió praia ideal, é serena, sublime, delicada; enfim, voz semelhante à voz do disco, como já disse acima.

Outro detalhe que é interessante dizer é que os curiós que geralmente são tidos como de “vozeirão”, são aqueles que cantam muito alto. Entretanto, cantar alto também não é qualidade. Cantar não é gritar.

Pode até ter qualidade para o seu dono e respeito o gosto de cada um, mas para fins de competição, quando é submetido à comparação com outros, nos torneios de canto, dificilmente terão chance de se classificar.

Ainda, para ilustrar, podemos fazer uma singela comparação com o ser humano; um cantor ou cantora se tiver conhecimento da letra e da música, mas se não tiver a voz agradável a gente não gosta muito, Não é? Também é um caso de sensibilidade de cada um, um pode gostar da voz de um determinado cantor, outro pode gostar mais da voz de outro.

Então não basta saber a letra, precisa saber a música e interpretar de maneira agradável ao nosso ouvido. Concorda?

A letra neste caso são as notas, mas esse é outro assunto...

Concluindo: Voz realmente é uma avaliação subjetiva. Não tem como não aceitar essa realidade e nem é possível impor o nosso gosto simplesmente porque se trata de nosso curió ou do nosso entendimento.

Entretanto, embora subjetiva, não é tão difícil diferenciar quando a voz é realmente boa ou ruim. Basta ter experiência. Ouvir vários curiós. Não ficar limitado ao seu curió e acima de tudo ter humilde e aceitar o gosto dos outros.

No caso dos torneios de canto, a decisão do Juiz deve ser respeitada e nunca contestada no ato, e, em caso de reclamação, deverá ser fundamentada por escrito sua reclamação junto à Federação.

Uma dica que acho importante para aqueles que realmente se interessam em ficar “expert” nesse assunto, é, quando estiver participando de um torneio ouvir a maior quantidade possível dos curiós que estão se apresentando e ir fazendo suas analises e comparações.

Só com experiência chegaremos a entender essas diferenças, na realidade tudo na teoria é uma coisa e na prática é outra.

Um exemplo interessante é o caso de um professor de natação, fica duas ou três horas ensinando os alunos os movimentos para os nados de peito, livre, costas e borboleta, finda a aula o aluno pula na piscina. O que acontece? Morre afogado.

Se quiser aprender nadar precisa exercitar muito e para entender de canto de curió precisa igualmente ter muita dedicação e ouvir muito.

ANDAMENTO: Nitidamente moderado.

O ANDAMENTO não pode ser muito acelerado e nem muito lento, deve ser nitidamente moderado. Olha aí outro quesito que exige experiência do julgador.
Muitos, a exemplo da voz, acham que o seu curió por cantar um pouco mais rápido que é o bom, outros porque o seu canta mais lento acha que o seu que é o bom.

Andamento acelerado ou lento são termos relativos. O que é acelerado? O que é lento? Depende do ponto de referência.

O andamento que entendemos como bom e nitidamente moderado é aquele que nos permite observar que o pássaro canta sem esforço, as notas permanecem perceptivas e de fácil identificação e ocorrem numa sequência constante.

Quando o andamento é muito rápido as notas ficam espremidas, curtas e deixa sua interpretação a desejar.

Quando o andamento é muito lento se torna entediante e trás a sensação de que o curió canta desanimado

Novamente entra a experiência e sensibilidade de cada um para distinguir, mas é uma questão bem mais fácil do que a questão da voz.

Andamento é um quesito que depende muito de qual foi o CD que o curió ouviu. Mas é verdade também que é uma questão de gosto, pois até a escolha do CD cada um tem a sua preferência. Uns preferem o Prata, outros o Ouro, outros do Maruc, (aliás, ficam aqui registrados meus sentimentos, pela perda tão precoce desse grande Campeão).

Todos com andamento nitidamente moderado e de especial qualidade.

MELODIA - Novamente em prova a sensibilidade e experiência do Juiz.

Melodia é a dicção, isto é, é a maneira que o curió emite as notas, é a combinação e harmonia dos sons resultantes de acordo com as notas que estão sendo emitidas, chega até expressar sentimento na sua emissão, especialmente nas notas de batida de praia.

Para ter melodia a sua voz não pode ser estridente. Suavidade e sentimento na pronuncia das notas são muitíssimo importantes neste quesito.

Outra vez o ser humano serve para fazermos uma comparação, respeitando as proporções, é claro. Um cantor ao interpretar uma canção romântica, por exemplo, para expressar seu sentimento, seu lamento, sua mágoa, sua voz se apresenta com tristeza, porém de uma maneira agradável que nos contagia e emociona. Isso é melodia.

A melodia é, a meu ver, a alma da interpretação.

O curió que não tem melodia emite suas notas socadas, agressivas, violentas, sem se importar com a interpretação, São características mais comuns nos curiós de vibra ou aqueles que estão em fase de acasalamento que até batem as asinhas num ritual de conquista da fêmea.

Estas minhas colocações são despretensiosas e sem ufania, meu amigo Amaury, são apenas para transmitir a você minha concepção sobre este assunto.

Concluindo: Num julgamento não podemos nos concentrar só nas notas.

Esses três quesitos acima são de muita importância e são levados em conta para o julgamento do Canto Praia.

É lógico que a colocação de notas e a apresentação, são igualmente de suma importância; porém, a omissão de notas é facilmente identificada mesmo por aqueles que estão começando, mas, a sensibilidade para o julgamento dos requisitos acima, depende de muita dedicação e aptidão, além de capacidade que só se adquire com a prática.


Um forte abraço a todos.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

ENTREVISTA: CRIADOURO PRATA

Foto: Flávio Pellizzer e José Carlos Schmidt


Boa noite, hoje trazemos até os amigos a importante entrevista com José Carlos Schmidt e Flavio Renato Guedes Pellizzer do Criadouro Prata, como o próprio nome indica, berço do famoso Curió Prata, raçador por excelência, que tanto é falado através do tempo pelos mais renomados curiozeiros. Localizado em Paraguaçu Paulista, uma das estâncias turísticas do Estado de São Paulo, não poderia o criadouro deixar de ser berço de famosos e importantes curiós praia grande clássico, já que de acordo com o dicionário de tupi-guarani de Gumercindo Saraiva Rodrigues Alves Pereira de Carvalho, a palavra "Paraguaçu" significa "mar grande". Confira abaixo essa entrevista !



CC&T - Quando começou a criar ? Iniciou logo com curiós ou não ? É criador amadorista ou comercial ? Há quanto tempo ?


SF - José Carlos Schmidt, começou a criar curiós no ano de 1970, quando em visita ao meu irmão, na cidade de Piracicaba/SP, tomei contato com um criador de curiós. Antes eu era criador de canário do reino de fator vermelho. Sou criador amadorista, desde o inicio de minha criação e pretende continuar do mesmo modo.

Flavio Renato Guedes Pelllizzer, começou a criar curiós no ano de 1985. Antes era criador de canário da terra e outros pássaros silvestres. É criador amadorista, desde o inicio de minha criação e também pretende continuar do mesmo modo.



CC&T - Descreva para nós como é a estrutura do seu criadouro/criatório, no que diz respeito a compartimentos da criação, ou seja às suas instalações propriamente ditas ?


SF - Temos em nosso criadouro, um local em que ficam as fêmeas que estão criando, ou seja, chocando e com filhotes. Outro local onde ficam as fêmeas solteiras e quando galadas são enviadas para junto das outras fêmeas que estão chocando e com filhotes. Os filhotes após separados com aproximadamente 35 dias, são enviados para outro ambiente, onde vão receber o aprendizado do canto praia. Os galadores são colocados em caixas acústicas, em outro ambiente do criadouro.



CC&T - O seu plantel é formado por quantas fêmeas e machos ?


SF - O nosso plantel consta atualmente de 48 fêmeas e 10 machos.



CC&T - Geneticamente falando, qual a base da raça com que trabalha ?


SF - A nossa raça predominante é PRATA, desenvolvida aqui mesmo em nossos criadouros.



CC&T - A sua criação é voltada exclusivamente ou não para curiós Praia Grande Clássico ?


SF - Sim, exclusivamente na criação de curiós de canta Praia Grande Clássico.



CC&T - Conte para nós como se dá o seu trabalho de vetorização de canto, englobando a questão de CD, ambiente, falante e o manejo propriamente dito ?


SF - Na questão da vetorização de canto é desenvolvida da seguinte forma: Um ambiente onde ficam as fêmeas criadeiras, outro ambiente para os filhotes que estão sendo separados e os machos galadores, por ocasião da época de criação, ficam em cabines acústicas. Utilizamos um aparelho de tocar CD, ligado 30 minutos e desligado 30 minutos, durante todo o dia. Não temos preferência por aparelhos ou alto falantes. O importante é o aparelho e os falantes, possuírem um som nítido, numa altura nitidamente moderada. Utilizamos o CD selo laranja no inicio e posteriormente o selo prata especial.



CC&T - O desmame vc costuma realizar com que idade do filhote ?


SF - O desmame dos filhotes acontece entre os 33 e 35 dias de nascidos.



CC&T - Quando normalmente vc começa e para de criar a cada temporada ?


SF - O inicio da temporada é o mês de setembro e término no mês de fevereiro.



CC&T - Nos diga algumas de suas principais fêmeas e galadores, bem como se possível as suas ascendências ?


SF - Nossas matrizes são na maioria da raça PRATA., que constituem a espinha dorsal do nosso criadouro. Temos, também, outras fêmeas de outros criadores. A raça PRATA teve inicio com uma fêmea, chamada Gauchinha, filha de um curió mateiro repetidor de nome “Gaucho” pertence ao Sr. Amaral, com uma fêmea, chamada Elba, filha do Ratinho com a Santista, do criador Sr. João Ferretti (já falecido) da cidade de Presidente Prudente/SP. O macho foi um curió (chamado de Forrozinho) adquirido através do Sr. Valdir França. pertencente a criação do Sr. Edgar Osmar de Carvalho, da cidade de Campinas/SP, filho do Repeteco e Favorita.



CC&T - Tem algum curió da sua criação que já tenha sido revelação ? Em caso positivo cite para nós o seu nome, genética e eventual conquista ?


SF - O curió Prata, além de um grande repetidor, era um grande reprodutor (raçador), como rotulado por criadores. Nasceu no ano de 1989 e faleceu no ano de 2005.
Da raça do Prata, tivemos muitos filhotes que se destacaram em vários torneios, inclusive no Serca, em São Paulo. Um dos bons cruzamentos foi com a fêmea Paulista (Platini e Paulista) do criador Sr. Antonio Hermes Palu, da cidade de Marília/SP, que deu origem as famosas “Pautas” que são fêmeas muito procuradas. Outros filhos famosos foram Raça Negra (Prata x Paulista), Platão (Prata x Paulista), Plutão (Prata x Tâmara), Sonoro (Prata x Jomel), Negritude (Prata x Paulista), Atlantis (Prata x Soberana), Tibiriçá (Prata x Soberana), Carnaval (Presidente x Chinfra (irmã de ninho do Prata), Calebe (Raça Negra x Santana), Viola (Raio X x Chinfra), Prata 75 (Prata x Sampra).



CC&T - Como criador regularmente cadastrado no IBAMA, seja amadorista ou comercial, mas preservacionista por excelência, vc tem enfrentado algum tipo de problema no relacionamento com a Autarquia ?


SF - Não. Sempre fomos bem atendido.



CC&T - O que pode sugerir para aqueles que estão começando ou pretendendo começar a criar curiós ?


SF - Aos neófitos ou iniciantes na criação de curiós, sugerimos que tenham paciência, muita paciência e que adquiram matrizes em criadouros que tenham uma boa linhagem, para que não haja perda de tempo e maiores dissabores. Tenho certeza que irão ter muitas alegrias e recompensa com estas aves.



CC&T - Quais são as suas últimas palavras que gostaria de dizer para os nossos leitores ?


SF - Aos nossos companheiros e amigos desejamos que continuem a terem muitos sucessos e alegrias nesse ramo. “A criação de curió por si só já é uma lição de vida.”


Abraços a todos

José Carlos Schmidt & Flávio Renato Guedes Pellizzer



Schimidt - (018) 3361-1799 (scmidt@netonne.com.br )


Flávio - (018) 3361-7549


domingo, 30 de maio de 2010

USO DE AMINOÁCIDOS EM ORNITOCULTURA


Giorgio de Baseggio - Itália



Se imaginarmos uma proteína sendo uma casa, os tijolos desta serão os aminoácidos, substâncias que apresentam um ou mais grupos amínicos (NH2) e um ou mais grupos carboxílicos (-COOH). Esses, isolados mediante hidrólise da proteína, chegam a cerca de uma centena de tipos, porém somente 25 são os componentes fundamentais.


Distinguem-se em INDISPENSÁVEIS (arginina, histidina, leucina, isoleucina, lisina, metionina, fenilanina, treonina, triptófano, valina, cisteína) não sendo sintetizados no organismo, devendo ser introduzidos através dos alimentos; NÃO INDISPENSÁVEIS (glicocola, ácido aspártico, ácido glutâmico etc). Partindo dos aminoácidos indispensáveis o organismo chega a sintetizar todos os outros aminoácidos (transaminação).


Normalmente o pássaro sintetiza no próprio organismo: ácido aspártico, hidroxiprolino, alanina, nor-leucina, serina e prolina e, assim, podem ser também acrescentados na ração diária. Certos autores consideram que, nos pássaros, o número dos aminoácidos indispensáveis seja superior aos mencionados.


Muitas são as FUNÇÕES dos aminoácidos: plástica (construção dos tecidos), lipotrópica, protetora, auxológica, antitóxica - da qual a mais importante é a antiestealósica hepática (a esteatose constatada em pássaros nutridos com rações hipoprotídica-hiperglicídica ou normoprotídica-hiperlipídica e em carência de hidrato de carbono), antitóxica através de alguns fármacos possuidores de aminoácidos não indispensáveis e de alguns indispensáveis como fenilalanina, metionina, isoleucina.


Para os aminoácidos existe uma 'lei do mínimo', segundo a qual a quantidade mínima dessa é dada do percentual dos aminoácidos indispensáveis para impedir o aparecimento de distúrbios consequentes à falta desses.


A ração equilibrada deve fornecer ao organismo os aminoácidos em proporção harmônica. No comércio existem produtos famacêuticos contendo aminoácidos associados a vitaminas e a minerais. O criador, lendo a composição deve escolher aqueles em que exista o maior número de aminoácidos indispensáveis e que estejam, associados, possivelmente a vitaminas do complexo B e oligoelementos. (N. do T. no no Brasil, na apresentação líquida, podem ser encontrados, por ex. os produtos para uso humano: Viaminer S, Flexamina, Uniplex). Recomenda-se sua administração de duas a três vezes por semana, durante todo ano, procurando-se assim evitar graves carências, sempre possíveis nos pássaros em cativeiro.


A administração é particularmente indicada, por 3-5-7 dias seguidos, pausa por 2-7 (segundo os casos) nos seguintes casos: após um tratamento de antibiótico, intoxicações, doenças do fígado, durante a muda, após tratamentos com fármacos (sulfamídicos etc), antes e após a exposição, nos exemplares debilitados e convalescentes, nos exemplares magros (peito 'cortante' e 'ventre inflamado e inchado'), novos em crescimento, durante a reprodução (preparação dos reprodutores, deposição do ovo, alimentação dos filhotes), durante a doença de qualquer origem (com exceção da gota visceral e gota articular).


Precauções: renovar sempre a solução a cada 24 horas; observar a data de validade do produto, manter o frasco do produto bem fechado em geladeira, por um tempo não superior a 4-6 meses após aberto (mesmo se a data de validade for posterior), não expor ao sol direto os bebedouros contendo a solução, lavar bem os bebedouros internamente.


Tradução - PSF


FONTE: Pássaros, Revista. Ano 12. nº 63. 2007

quinta-feira, 27 de maio de 2010

PAELLA DO LUA 2010

Foto: Laércio Rodrigues Nunes


Boa noite, primeiramente gostaríamos de nos desculpar pela demora em nova postagem, mas estivemos com dificuldades operacionais com a net, tendo hoje à tarde sido solucionadas.


No mais, gostaríamos de registrar, com grata surpresa, que a PAELLA DO LUA 2010 foi um sucesso total, com a participação de mais de 600 pessoas, entre curiozeiros, bicudeiros, familiares, dirigentes ornitológicos e deputados, com a participação ainda, dentre outros, dos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Distrito Federal, Amazonas, Pará e Acre.


Inteligentemente, antes de ser servida a PAELLA foi disponibilizado espetinhos de churrasco, que por sinal estavam deliciosos, afinal há pessoas que não gostam ou não podem comer frutos do mar.


A cada ano que passa aumenta o número de participantes que, em um ambiente extremamente confratenizador e familiar, com os participantes levando suas esposas e filhos, temos a oportunidade de rever e conhecer novos amigos, trocar inúmeras e interessantes idéias sobre o mundo ornitológico e a sua evolução constante com o apoio político, dos dirigentes das entidades ornitológicas, bem como agora com o promissor entendimento com o IBAMA.


No decorrer do evento, foram apresentados os troféus do Campeonato Brasileiro de Canto de Curió Praia Grande Clássico e Curió Praia Grande Clássico Pardo, todos muito bonitos e banhados a ouro, uma verdadeira jóia cobiçada por todos os expositores que anualmente se dedicam a correr todo o certame brasileiro.


Houveram vários sorteios de produtos doados e ligados ao mundo ornitológico, como, dentre outros, das Cabines Acústicas Guarnieri, Gaiolas do Júlio de Uberaba, Camisas de Criadouros, Aparelhos para o Aprendizado de Canto da TECTRON e CD's "O Canto do Curió Maruc".


A PAELLA em si, estava deliciosa e ninguém ficou com fome, tendo sido muito bem calculada a sua produção, de tal forma que houve uma sensação final extremamente prazerosa, com todos voltando felizes para casa, na certeza que a PAELLA DO LUA se tornou num grande e crescente ENCONTRO NACIONAL DE CURIOZEIROS, com a presença de algumas Autoridades e renomados criadores que abrilhantaram o evento.


PARABÉNS LUA E TODOS OS QUE PARTICIPARAM DA ORGANIZAÇÃO !